Encarando o presente e desenhando o futuro no setor de eventos

Estratégias para o mercado de eventos no contexto do pandemia do coronavírus: um período que exige solidariedade, cuidado e atenção com o próximo

T empos de exceção e incerteza!

Em menos de 1 mês a partir do primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil (26 de fevereiro), a rotina do ambiente de negócios nacional e da sociedade brasileira como um todo mudou completamente, em consonância, aliás, com o restante do mundo, uma vez que, no dia 11 de março, a Organização Mundial de Saúde declarou estado de pandemia global de coronavírus, decretando uma série de medidas para que os países possam controlar a expansão da doença e os impactos nos sistemas de saúde locais.

Diante deste cenário, um dos segmentos mais afetados, sem dúvidas, foi a área de eventos, mercado que se move, essencialmente, pela reunião de pessoas, compartilhamento de experiências e construção de momentos compartilhados.

Entramos, pois, numa dicotomia: ao mesmo tempo em que devemos ser cidadãos conscientes e contribuir, de todas as formas possíveis, para o controle da transmissão do coronavírus; devemos também desenhar estratégias para vencer este momento em nossos negócios.

É hora de ser solidário, de compartilhar ideias e de fortalecer a união – mesmo que a distância. 

Enxergando o tamanho do problema

Mas, antes de tudo, na minha visão, precisamos entender, realmente, o tamanho do problema que deságua, diretamente, no mercado de eventos.

No dia 13 de março, por exemplo, o Ministério da Saúde recomendou, expressamente, o cancelamento ou adiamento de eventos governamentais, artísticos, científicos ou comerciais que reúnam grande volume de pessoas.

Em cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro, que já contam com transmissão local do coronavírus, a recomendação vale, inclusive, para eventos para menos de 100 pessoas que ocorram em locais fechados. Além das recomendações oficiais, o fato é que ninguém deseja se expor ou expor seus colaboradores, amigos e familiares a um vírus que sequer conta com método de combate ou vacina desenvolvida.

Com isso, é claro que o mercado de eventos – assim como outros segmentos – sofrerá com impactos importantes que só poderão ser calculados, de modo preciso, após o fim desta crise que, segundo especialistas, pode durar quatro meses ou mais.

O essencial, agora, é pensarmos em alternativas para que se possa vencer este período, protegendo nossos negócios, colaboradores e criando forças para que se construam novas estratégias, enquanto retomamos fôlego e olhamos para o futuro.

Seguindo as recomendações dos órgãos de saúde

O primeiro passo após o entendimento do problema é seguir, a risca, as recomendações da OMS e dos órgãos de saúde brasileiro, evitando ao máximo a realização de eventos presenciais. Sempre que possível, o ideal é buscar um acordo com patrocinadores, empresas e outros organizadores, com o objetivo de não cancelar o evento, mas sim, adiá-lo, o reagendando para uma nova data, conforme as estimativas de superação da pandemia.

Muitos eventos de grande porte estão seguindo esta estratégia, como no caso do Lollapalooza, por exemplo, adiado para dezembro de 2020. E aqui vale tentar conscientizar o público sobre o fato de que a pandemia do coronavírus será superada, sempre abrindo a possibilidade, no entanto, para o reembolso de ingressos.    

Investindo em eventos virtuais

Neste meio tempo, uma boa alternativa para as empresas de eventos consiste em investir na realização de eventos virtuais. Uma série de empresas tem buscado essa alternativa para se manter em contato com parceiros, público-alvo, stakeholders e colaboradores por meio de webinars, palestras em vídeo, reuniões virtuais, mentorias, entre outros.

No entanto, nem todas as organizações contam com equipamentos profissionais ou expertise necessária para a realização destes encontros digitais de modo fluido e satisfatório. Neste sentido, as empresas de evento podem absorver uma oportunidade para concretizar eventos digitais que gerem boas experiências e garantam, além disso, a segurança dos participantes, conforme as regulamentações dos órgãos de saúde nacionais e internacionais.

Apertar os cintos e olhar para frente

A organização financeira, por sua vez, nunca foi tão importante no ambiente de negócios global como um todo, especialmente, em setores como o de eventos, hotelaria, turismo e outros mercados mais afetados pela pandemia do coronavírus.

Sim, é hora de redistribuir recursos, eventualmente utilizar reservar e buscar formas de continuar gerando faturamento. Na medida do possível, é fundamental também não abrir mão dos investimentos em seu negócio, sempre levando em conta que o futuro bate a porta e, quando toda a crise do coronavírus passar, teremos, possivelmente, uma grande demanda de eventos presenciais para realizar e novas experiências para construir.

Aquelas empresas que souberem criar estratégias para enfrentar este período de crise, poderão colher os frutos de um movimento de retomada e de um mercado ávido por retomar seu movimento de normalidade.

Busque e compartilhe conhecimento: seja solidário

Por fim, é válido não parar de gerar conteúdo, conversar com colegas, concorrentes e parceiros, de modo que desenhemos, em conjunto, estratégias para o presente e para o futuro.

Em um período de crise, precisamos nos unir por meio da difusão de conhecimento, dividindo dicas, cases e alternativas que possam auxiliar o setor, como um todo, a vencer este momento complexo com solidariedade e inteligência.

Tenho certeza de que juntos somos mais fortes e espero fazer minha parte para que nosso mercado não pare de se movimentar! Vamos nessa?

#StayHomeButStayActive  

Artigo redigido por Helena Cinci

Sócia-Proprietária da Agência BOA

linkedin.com/in/helena-cinci/

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