A hora da transformação: por um mercado de eventos P2P (People to People)

O atual cenário de isolamento social traz consigo alguns paradoxos. Se, por um lado, o momento pede que continuemos evitando, sempre que possível, o “convívio físico” com nossos amigos, parentes e — ainda na maior parte dos casos — com nossos colegas de trabalho; por outro, me parece que jamais estivemos tão conectados, compartilhando nossas vidas digitalmente e ansiando por saber notícias e novidades sobre aqueles que compõem nossos círculos de proximidade.

Todo este contexto me fez reforçar a ideia da importância das pessoas em nossas vidas – do porteiro do nosso prédio aos nossos amigos de infância; do pediatra de nossos filhos ao dono do restaurante da esquina de nosso trabalho, no qual almoçávamos (e no qual almoçaremos quando tudo isso passar). Cada uma dessas pessoas, a seu modo, ajuda a compor o significado macro da nossa realidade.

Somos seres sociais e, como tais, aprendemos, desde cedo, a importância de respeitarmos uns aos outros, as diferenças, os valores de cada um.

Tudo isso é extremamente positivo, mas o que me motivou a escrever esse artigo hoje foi uma pergunta que, há muito tempo, me incomoda: porque nem sempre levamos esse valor de respeito ao próximo para o nosso trabalho, em toda a sua amplitude?

Ou, ampliando o escopo dessa pergunta: porque, por mais que nos esforcemos em nossas empresas, ainda vemos exemplos no mercado de desvalorização e desrespeito a profissionais que, no fundo, constroem nossas empresas conosco?   

Trazendo esses questionamentos para o mercado de eventos, penso que é hora de aproveitarmos o período atual para desenharmos o futuro de nosso setor.

People to People: uma definição objetiva

Quando fundamos a BOA, há 10 anos, tínhamos em mente construir uma empresa que cria experiências positivas não só para nossos clientes, mas também para todos os nossos colaboradores, fornecedores e parceiros. Aqui, gostamos de reforçar a tese de que, se é tão prazeroso trabalhar com o que se ama, por que não com quem se ama também?

E esta filosofia não nasce apenas de idealismo, mas da certeza de que, ao valorizarmos os seres humanos, teremos conosco times motivados, baixo turnover de colaboradores e relações sólidas, transparentes e confiáveis com aqueles que contribuem para o crescimento de nossa agência.

Não à toa, uma pesquisa recente do LinkedIn aponta que, para 80% dos líderes empresariais, a proposta de valor oferecida para os colaboradores (employer branding) influencia diretamente na contração de talentos para uma empresa.

Desta mentalidade, nasce o conceito People To People. Já explorado em alguns mercados, essa ideia se relaciona com o fato de que o mesmo respeito que oferecemos para os nossos clientes é aquele que deve ser compartilhado no ambiente do trabalho.

Neste sentido, em um evento, por exemplo, nossos colaboradores devem contar com horas (e locais apropriados) para descansar; ter a mesma refeição oferecida para os clientes; e, acima de tudo, ser tratado sempre de modo digno e que demonstre o valor que ele de fato tem para nossa agência.

A humanização da economia

A ideia de se construir um ambiente de negócios feito de pessoas para as pessoas está diretamente ligado com alguns conceitos aplicados em outras áreas e que tem gerado um processo de humanização da economia.

Um deles é o de customer experience, no qual o cliente deixa ser um mero número para o faturamento de uma empresa e passa a ser visto com um ser de voz ativa, capaz de influenciar o direcionamento de uma marca, e para o qual são criadas experiências personalizadas, únicas e de acordo com seus valores e preferências.

Outro pilar deste novo contexto é o people marketing, que busca, por meio de dados e estudos aprofundados sobre os consumidores, quais as melhores formas de se comunicar com os clientes, de entregar campanhas personalizadas e oferecer produtos que, de fato, façam sentido para as suas realidades.

Finalmente, a própria área de vendas – inclusive neste momento de pandemia – tem redesenhado suas estratégias, visando adotar abordagens que respeitam o tempo de decisão do cliente, trazem uma comunicação clara e transparente, e oferece informações que podem, realmente, contribuir para uma decisão de compra consciente. 

Não se esqueça: sua empresa também é feita de pessoas!

Em uma pesquisa rápida na internet, percebemos o quanto estes conceitos têm movimentado a economia global e gerado crescimento nas empresas que se preocupam em propor novas relações positivas e geração de valor para seus clientes, parceiros e colaboradores.

Neste sentido, quando falamos por aqui do conceito de People to People (P2P), nosso intuito é fazer a nossa parte para a construção de um mercado de eventos mais humano, afinal, se criamos experiências pensando, essencialmente, na felicidade e satisfação de nossos clientes e de seu público-alvo, porque não adotar essa perspectiva também para o dia a dia de nossas agências?

Aproveitemos esse momento para preparar o terreno para um futuro mais significativo. Um futuro feito por pessoas para as pessoas. 

Artigo redigido por Helena Cinci

Sócia-Proprietária da Agência BOA

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